A obra de Nina, afinal, fala dessa passagem, dessa transposição. São tempos e espaços que conversam, se interpenetram e se misturam como no jogo entre identidade e alteridade, que constitui cada vida.

“A empreitada desdobrou-se em várias etapas: no início, Nina observou os
entalhes da igreja da Matriz de Ponta Delgada, sua terra natal, capturando,
junto às imagens santas tradicionais, figuras realizadas no período manuelino.
Naquele estilo, destacou imagens com relevos estampando motivos tribais, de
culturas conquistadas pelos portugueses, em suas passagens pelo Brasil,
África e Ásia. Dali surgiu a série de pequenas telas, que ela intitulou story
boards. Em sua primeira remenbrança, termo criado para aludir ao caráter
ficcional da memória, Nina desenhou o percurso dos colonizadores, em branco-
e-preto, culminando com o retrato de um indígena brasileiro, este sim, em
cores.

Em sua primeira viagem a Viana, a artista presenciou uma festa do Divino, uma
adaptação local, de ex-colônia, da festa religiosa que acontece anualmente nos
Açores. Em Viana, a festa foi percebida em sua simplicidade e alegria. Além
dos registros celebratórios na igreja da matriz vianense, Nina realizou um
passeio panorâmico de trem através das regiões montanhosas. Nos intervalos
entre passagens e paradas, registros de uma natureza exuberante foram parar
numa outra série de pinturas pequenas, exibidas em sequência, como num
filme.

Depois, contrastando com a dimensão diminuta das telas, a artista criou
conjuntos de panos enormes. Primeiramente, utilizando tintas que aludem às
cores da natureza, ela criou manchas. Depois, as manchas assumiram formas,
ganhando traços de desenhos fortes e rápidos. Ali estão pombas, plantas,
árvores, detalhes de fotografias feitas em Viana, janelas, passagens—figuras
que se repetem nas fotografias e pinturas, fazendo-nos relembrar para revelar
aos poucos, em camadas, como acontece na retenção de fatos e sentimentos
na memória”. Katia Canton.

Serviço

Projeto: Remembranças, Mas que Arte Cabe em uma Cidade?
Exposição: Viana, uma Visagem Açoriana
Data: 21 de setembro a 12 de dezembro
Horário: 9h as 18h, incluindo sábados, domingos e feriados
Local: A Galeria de Arte Casarão – Avenida Florentino Ávidos, Centro, Viana.
Telefone de contato: 3255-1346
Email: gac@viana.es.gov.br
ENTRADA FRANCA

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