REMEMBRANÇAS – NINA MEDEIROS – Eis o desafio feito à artista Nina Medeiros: mergulhar na memória imaginária do povo açoriano, chegando em suas caravelas, em 1812, convocado a penetrar terras capixabas do sertão de Santo Agostinho, hoje Viana, defrontando-se com a população local.

REMEMBRANÇAS – NINA MEDEIROS
“Eu é um outro”—Arthur Rimbaud
Eis o desafio feito à artista Nina Medeiros: mergulhar na memória imaginária do povo açoriano, chegando em suas caravelas, em 1812, convocado a penetrar terras capixabas do sertão de Santo Agostinho, hoje Viana, defrontando-se com a população local.
Seria ainda o caso de traçar pontes de pertencimento, ora de estranheza. Onde estaria hoje o desenho das pegadas açorianas nas paisagens de Viana? Teriam os Açores mantido algum rastro desse passado aventureiro?
A empreitada desdobrou-se em várias etapas: no início, Nina observou os entalhes da igreja da Matriz de Ponta Delgada, sua terra natal, capturando, junto às imagens santas tradicionais, figuras realizadas no período manuelino. Naquele estilo, destacou imagens com relevos estampando motivos tribais, de culturas conquistadas pelos portugueses, em suas passagens pelo Brasil, África e Ásia. Dali surgiu a série de pequenas telas, que ela intitulou story boards. Em sua primeira remenbrança, termo criado para aludir ao caráter ficcional da memória, Nina desenhou o percurso dos colonizadores, em branco-e-preto, culminando com o retrato de um indígena brasileiro, este sim, em cores.
Em sua primeira viagem a Viana, a artista presenciou uma festa do Divino, uma adaptação local, de ex-colônia, da festa religiosa que acontece anualmente nos Açores. Em Viana, a festa foi percebida em sua simplicidade e alegria. Além dos registros celebratórios na igreja da matriz vianense, Nina realizou um passeio panorâmico de trem através das regiões montanhosas. Nos intervalos entre passagens e paradas, registros de uma natureza exuberante foram parar numa outra série de pinturas pequenas, exibidas em sequência, como num filme.
Depois, contrastando com a dimensão diminuta das telas, a artista criou conjuntos de panos enormes. Primeiramente, utilizando tintas que aludem às cores da natureza, ela criou manchas. Depois, as manchas assumiram formas, ganhando traços de desenhos fortes e rápidos. Ali estão pombas, plantas, árvores, detalhes de fotografias feitas em Viana, janelas, passagens—figuras que se repetem nas fotografias e pinturas, fazendo-nos relembrar para revelar aos poucos, em camadas, como acontece na retenção de fatos e sentimentos na memória.
Pensando bem, os panos são pinturas moles que tomam corpo nos ambientes da galeria, como peles vivas. São também personificações das velas dos barcos, aludindo ao percurso dos colonizadores, num passado aventureiro, que
continua ecoando como uma linha infinita, que passa pelo hoje para atravessar também o amanhã.
Nos tecidos, de acordo com a luz, silhuetas do observador são acolhidas e projetadas. A imagem do eu penetra a cena e entra na paisagem do outro; de tantos outros dos quais cada um de nós se constitui.
A obra de Nina, afinal, fala dessa passagem, dessa transposição. São tempos e espaços que conversam, se interpenetram e se misturam como no jogo entre identidade e alteridade, que constitui cada vida.
Se no térreo da galeria estão pinturas imaginárias, lembranças criadas pelas narrativas da expectativa e pelos traços de uma arquitetura que desenha pontos de fuga entre o passado pesquisado e o futuro imaginado, o andar superior é preenchido com a experiência vivida num certo presente. Ali está a sequência fotográfica de imagens da viagem, as passagens por portas e janelas, o trem, o túnel que dá para a paisagem real, os caminhos de ida e de volta, as chegadas e partidas que somam a vida, enfim.                    Curadora da Exposição Katia Canton

Abertura da exposição: 21 de setembro 2012 às 17:hs

Visitação de 22 de setembro a 12 de dezembro de 2012

Galeria de Arte Casarão Viana

Patrocínios Ministério da Cultura, Vale e Cesan

Realização Prefeitura de Viana

Prefeita Municipal de Viana Ângela Maria Sias

Secretária Municipal de Cultura, Esporte e Turismo Fabiene Passamani Mariano

Diretora do Dept° de Patrimônio e Memória Sonia Souza Zorzal

Diretora do Dept° de Cultura Josiana Gallina

Diretor do Dept° de Turismo Rodrigo Poltronieri

Diretor do Dept° de Esportes Adair José Gava

Galeria de Arte Casarão José Edmilson Alvarenga, Leodilha Stein dos Santos.

Programa MAS,QUE ARTE CABE NUMA CIDADE?

Curadoria e Coordenação do Programa Neusa Mendes

Curadoria da exposição Katia Canton

Artista convidada Nina Medeiros

Coordenação do Programa educativo Mara Perpétua

Produção Executiva Carminha Corrêa Jecko

Desenvolvimento Fabricio Coradello – Casa do Lago

Acompanhamento de Projeto Júlio Schmidt

Produção Ana Capucho

Design Gráfico Icléa Santos

Fotografia Ignez Capovila

Registro Videográfico Gui Castor.

Central de Comunicação Corporativa Ana Paula de Souza Gonçalves

Gestão de Projetos – Empório Capixaba Projetos Culturais – Diovani Favoreto

Apoio Administrativo Jackson Lopes F. da Silva

 Governo do Estado do Espírito Santo

Secretário de Estado da Cultura Maurício Silva

Subsecretário de Estado da Cultura Erlon José Paschoal

Subsecretária de Patrimônio Cultural Joelma Consuelo Fonseca e SilvaInstituto Sincades

Presidente Idalberto Luiz Moro

Gerente Executivo Dorval de Assis Uliana

Coordenadora de Programas e Projetos Ivete Paganini

Jornalista Silvana Sarmento Costa

Analista de Projetos Lívia Caetano Brunoro

Assistente de Projeto Daphne Quinela.

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