S I L E N T I O José Rufino

 Foto Gibran Chequer

Instalação, 2010-Raízes, galhos, troncos e partes diversas de mobiliário envernizados.  2,00 x 0,60 x 33,76m

 “[Re]invenção de uma cidade” foi um dos dez projetos selecionados pelo Edital Arte e Patrimônio – 2009, lançado nacionalmente pelo Paço Imperial e Ministério da Cultura/IPHAN, com patrocínio da Petrobras e realização da prefeitura municipal de Viana

Consiste num programa de residência artística que compreende duas vivências: a primeira em novembro de 2009, entre os dias 26 e 30, e a segunda, em janeiro de 2010, entre os dias 23 e 30 e parte de investigações do patrimônio cultural da cidade de Viana no Estado do Espírito Santo e dos signos deixados na e pela cidade na configuração espaço-tempo. Esses registros de criação constituem uma extensão da própria memória e corpo da cidade e de seus limites, estabelecendo diálogos entre o município e o seu Patrimônio.  

O artista José Rufino foi convidado a visitar a cidade de Viana e a residir nela, de modo que pudesse, ao mesmo tempo, observar os moradores, as edificações históricas e as novas moradas, a sua origem, a fim de selecionar, recortar e conectar imaginários individuais e coletivos.

O olhar de Rufino vai além da mera observação curiosa, sua formação em geologia permite-lhe reconhecer no fenômeno mais singular, ao mesmo tempo, sua originalidade e sua macroidentidade.  Seu trabalho nasce no estabelecimento de nexos entre os vestígios encontrados abandonados pela cidade e a transformação de suas formas em obra.

A mostra “Silentio”, ocupa os  dois pavimentos  da  Galeria de arte contemporânea Casarão – prédio construído na metade do século XIX – constituída de dois núcleos: a exposição no primeiro piso, uma videoinstalação denominada Myriorama n.º 3, e  obra resultante de performance – cadeira de madeira e têmpera feita com sedimento de rio. No segundo piso, a instalação cujo título denomina a exposição.

Foto Gibran Chequer

Sem título
Objeto resultante de performance, 2010. Cadeira de madeira e têmpera feita com sedimento de rio.
3,60 x 2,80 x  0,82

Myriorama.º 3

Myriorama é o nome de uma série de videoinstalações de José Rufino, produzidas a partir de fotografias antigas, que se fundem infinitamente quando estão pálidas e aparecem mais escuras e contrastadas quando individualizadas. O nome é o mesmo usado para antigos jogos visuais com paisagens panorâmicas, cujas partes cortadas podiam ser emendadas em qualquer combinação.

Com isso, temos o mote inicial para entender as imagens capturadas do arquivo da Prefeitura de Viana, localizado na Estação de Trem e alguns álbuns de particulares cuidadosamente vasculhados por José Rufino. Dele a artista ativa a memória  e retira fragmentos; mãos, pés e detalhes do corpo, pessoas diminutas, palmeiras imperiais, calçadas, móveis, de modo que,  fundidas em momentos pálidos, como palimpsestos, as imagens em diversas  maneiras abandonam a  imagem inicial e   vão se esvaindo em outras possibilidades interpretativas.

Silentio

“Quando entrei nas casas abandonadas com as marcas da lama seca nas paredes, fiquei em silêncio imaginando aquela água subindo e descendo silenciosamente e acomodando tudo o que transportou”. (José Rufino)

José Rufino demarcou toda a extensão da Galeria, sinalizando o limite em que as águas invadiam as casas: 2,00m do piso à altura das janelas. A partir da demarcação, os objetos coletados tratados invadem o espaço expositivo. Rufino tem a capacidade de fazer fluir neles suas significâncias próprias. 

Simultaneamente, os dois lados se interpenetram: o lado provisório, a obra; o lado da permanência, embora mutante, a vida de cada um dos moradores assolados pela enchente – o aspecto trágico e, ao seu lado, a paisagem externa vista por entre as fissuras que podem ser mais largas ou mais estreitas, mas sempre fissuras, separação, deslocamento. É no desgarramento entre os resíduos – instalados na tentativa de capturar aquele ponto cego do olhar – que se reabrem à brecha e se entranham na paisagem que o sujeito reencontra o patrimônio – a cidade e a arte. Estas são as possibilidades de recuperação identitárias, filiadas a um projeto contemporâneo de arte.

Foto José Rufino- Detalhe da Instalação Silentio

Foto José Rufino- Detalhe Instalação Silentio

Foto Gibran Chequer  Detalhe Instalação Silentio

Foto Gibran Chequer- Instalação Silentio

“Esse tipo de enchente é uma tragédia silenciosa. Assim, denominei a instalação de silêncio, em latim; ou melhor, silenciosamente: SILENTIO. A palavra tem pronúncia praticamente igual à do português e uma grafia diferente e eloquente. Ela sozinha pede uma leitura melódica, profunda.” (José Rufino).

 Eis aí tematizado o perecer. E, ao mesmo tempo, a grandeza da condição humana.

 Neusa Mendes

Curadora

PATROCÍNIO:
Petrobrás

REALIZAÇÃO:
Prefeitura de Viana
Paço Imperial/Minc/Iphan

APOIO
Amigos do Paço
Lei de Incentivo à Cultura – Ministério da Cultura
Instituto Quorum

Coordenação e Curadoria Neusa Mendes

 Curadores Pedagógicos  Célia Ribeiro e Erly Vieira Jr.

Produtora  Casa do Lago

Fotografias José Rufino e Gibran Chequer

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s