Instalação “Silentio” é aberta ao público

 
 
 

Rufino em frente à Galeria de Arte Casarão, em Viana

Ériton Berçaco

 A CIDADE DE VIANA, um dos mais importantes cenários históricos e arquitetônicos do Espírito Santo, cediará, a partir deste sábado,30, às 11h, a exposição “Silentio”, do renomado artista brasileiro José Rufino. A exposição é resultado de uma residência artística proposta pelo projeto “[Re]invenção de uma cidade”, da curadora Neusa Mendes. O projeto foi um dos dez selecionados pelo Edital de Arte e Patrimônio 2009, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), por meio do Paço Imperial, com o patrocínio da Petrobras.

Viana - ES

A RESIDÊNCIA
Durante dois momentos, novembro de 2009 e janeiro de 2010, o artista José Rufino – que já expôs em importantes espaços em cidades como Berlin, Paris, e Nova York – esteve em Viana, na região metropolitana de Vitória, onde conviveu com pessoas da comunidade local e observou de perto seus problemas e suas realidades. Nesse período, o artista visitou espaços históricos e pôde estabelecer uma relação de diálogo entre sua arte contemporânea, a sociedade local e o patrimônio cultural do município. 

SILENTIO
A exposição “Silentio” ocupa dois pavimentos da Galeria de arte contemporânea Casarão – prédio construído na metade do século XIX – e é constituída de dois núcleos: a exposição no primeiro piso, uma videoinstalação denominada Myriorama n.º 3, e, no segundo piso, a instalação cujo título denomina a exposição.

Myriorama n.º 3 

Captura de imagens para Myriorama n. 3

Captura de imagens para Myriorama n. 3

Myriorama é o nome de uma série de videoinstalações de José Rufino, produzidas a partir de fotografias antigas, que se fundem infinitamente quando estão pálidas e aparecem mais escuras e contrastadas quando individualizadas. O nome é o mesmo usado para antigos jogos visuais com paisagens panorâmicas, cujas partes cortadas podiam ser emendadas em qualquer combinação. 

O processo de trabalho denominado Myriorama começou em 2006, em Berlim, na Schlossplatz. “Munido de pequena câmera digital, fotografei detalhes de imagens antigas do local, usando principalmente eixos tangentes e distorções de enquadramento. Lançando mão do aparato de macro, fui mais perto dos detalhes e forcei até obter imagens bastante desfocadas. Reflexos de uma imagem sobre a outra e do entorno completaram o conjunto de algumas dezenas de fotografias. No final, obtive uma documentação iconográfica atravessada, violentada e que passava pelos tempos imperiais, pela República de Weimar, pelo período nazista, pela RDA, pela Alemanha unificada e por meu próprio verão de 2006”, conta Rufino. 

Um segundo conjunto de fotografias foi feito em Ushuaia, Argentina, em 2007, no antigo presídio da cidade. Posteriormente, as duas cidades foram misturadas no vídeo Myriorama n.º 1, formando um eixo ao mesmo tempo improvável e completamente real. 

Em 2009, o terceiro conjunto de fotografias, para Myriorama n. 2, foi feito na cidade de Pittsburgh, Estados Unidos. Dessa vez, buscando o espírito da infância de Andy Warhol, pois Rufino estava na cidade a convite do Museu Andy Warhol para trabalhar parte de seu acervo para a futura mostra. A terceira edição de Myriorama é a de Viana. 

ENCHENTE INTERFERE EM ARTE DE RUFINO 

Processo de pesquisa e criação de Rufino

A dor de uma cidade inteira bombardeada pela guerra civil espanhola, na década de 30 do século passado, deu origem a “Guernica”, uma das obras mais famosas do pintor catalão Pablo Picasso. A perda, a ausência, a destruição foram elementos que inspiraram o pintor a compor o quadro. De outro modo, mas com algumas semelhanças, a dor, a emoção, a escuta, o olhar ressignificado sobre a cidade de Viana, o silêncio da tragédia, vinda com as chuvas, são elementos que compõem a instalação “Silentio”, de José Rufino, fruto do diálogo entre sua arte e o patrimônio artístico e histórico da cidade de Viana. “Quando entrei nas casas abandonadas com as marcas da lama seca nas paredes, fiquei em silêncio imaginando aquela água subindo e descendo silenciosamente e acomodando tudo que transportou”, diz Rufino. 

AÇÃO EDUCATIVA 

Rufino com os alunos da oficina de vídeo

Durante sua segunda vivência da residência em Viana, agora em janeiro, o artista José Rufino fez duas oficinas abertas a escolas e à comunidade, com a parceria dos curadores pedagógicos do projeto Erly Vieira Junior (vídeo) e Célia Ribeiro (narrativas). 

Esta semana, no dia 25, alunos da rede de ensino de Viana puderam interagir com os espaços de sua cidade de um modo novo para eles, por meio da arte audiovisual, em uma oficina em que o próprio Rufino participou. Eles percorreram os lugares por que o artista passou e fizeram registros audiovisuais dessa experiência. O resultado é um vídeo, orientado por Erly Vieira, que revela o olhar de crianças e adolescentes em uma relação, no mínimo, peculiar e diferente com a arte e o patrimônio cultural da cidade onde vivem. 

Alunos constroem narrativas durante a oficina "Livro de Artista"

Alunos constroem narrativas durante a oficina "Livro de Artista"

Outra ação é a construção de um livro de registros (desenhos e textos), por meio da oficina “Livro de Artista”, construída a partir da observação e escuta de participantes sobre seus próprios lares e comunidade. Esses registros são feitos em cadernos cujo encarte apresenta impressa a identidade visual da exposição: uma janela vazada, destacada do caderno, que se transforma no visor que conduz o olhar a ver e ir além, a reconhecer os cenários percorridos pelos habitantes e seu cotidiano. Assim, é possível “experenciar a cidade que se vê e a cidade que se sonha”, como conta Neusa Mendes. 

Para o IPHAN, o espaço de interação da Arte com o Patrimônio é uma necessidade constante, isto para que a atualização de nossos conceitos de preservação e de registro da memória brasileira ganhem sempre contornos vivos da contemporaneidade. É necessário fomentar uma política de patrimônio com uma vertente que apoie o experimentalismo e a inovação. 

“O projeto “[Re]invenção de uma cidade” propõe um diálogo entre a arte contemporânea e o patrimônio histórico, de modo que esta arte investigue e integre-se ao espaço da cidade, imprimindo movimento, reativando as vidas nele guardadas, dialogando com o imaginário do público frequentador do circuito das artes visuais”, explica Neusa Mendes. 

SERVIÇO: “SILENTIO”, INSTALAÇÃO DE JOSÉ RUFINO
Curadoria: Neusa Mendes
Período: 30 de janeiro a 30 de março de 2010 

Local: Galeria de Arte Casarão. Av. Florentino Avidos, Centro, Viana-ES. (próxima à pracinha central – praça onde fica o prédio da Prefeitura)
Aberta de terça a sexta, das10h às 18h. Sábados, domingos e feriados, das 12h às 18h.  

Informações e agendamento de visitas monitoradas: 27 – 3255-1196 27 – 3255-1196 / 3255-1346 

COMO CHEGAR: 

DE ÔNIBUS 

1. TRANSCOL – Pegar ônibus até o Terminal de Campo Grande. No terminal, pegar a linha 901 – LINHA 901.TERMINAL CAMPO GRANDE X VIANA. Saltar em frente à Prefeitura Municipal de Viana e seguir na mesma avenida por 70 metros. O Casarão onde funciona a Galeria pode ser avistado imediatamente ao descer do ônibus. 

2. SELETIVO- JARDIM CAMBURI-
HORÁRIOS – LINHA: 1903 – VIANA/JARDIM CAMBURI – VIA EXPEDITO GARCIA
Saída JARDIM CAMBURI – Praça Miguel Arcanjo Fraga 08h50 – 12h40 – 16h40 – 20h40
Saída VIANA- 07h00 – 10h40 – 14h40 – 18h40. 

3. SAÍDA UFES – especial para alunos, professores e artistas – 12h00 – procurar Kênia, em frente ao Cine Metrópolis. 

4. DE CARRO
Saindo de Vitória, no sentido sul da BR101, após o posto de guarda da Polícia Federal em Viana haverá um trevo. Nesse trevo, pegar a BR262 à direita (sentido Domingos Martins) e seguir aproximadamente uns 5 Km. Depois da 1ª ponte, entrar à esquerda, margeando a praça principal do Centro de Viana e a Prefeitura Municipal. O Casarão localiza-se aproximadamente a 70 metros do prédio da Prefeitura.

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